Fernanda Mello


CORAÇÃO ESPETADO NA PORTA

“We must act out passion before we can feel it”
(Jean-Paul Sartre)

Por que, de repente, você começou a achar normal entrar na minha vida e virar tudo de cabeça para baixo? (De cabeça pra baixo sempre foi, eu digo: MAIS DE CABEÇA PARA BAIXO AINDA?). Até virar tema de história e sujeito de frase minha você virou, assim como quem não quer nada... Banal pra você! Surreal para mim. Aí te pergunto: quem foi que deixou? Como você fez para driblar esse meu coração pra lá de cansado e torto e deixou suas frases de “bom dia” mudarem o rumo de tudo, como se fosse a lógica mais óbvia do mundo?

Não, não, não.

Isso não está certo.

Eu não gosto de me apaixonar.

Não, não e não.

Eu gosto MESMO é do amor.

Ah, não, por favor! Quem deixou?

E agora, moço? Como vou escrever um livro defendendo o amor e metendo a lenha na paixão, sendo que estou igual uma boba, lendo e rindo das suas mensagens, cheias de ícones bonitinhos?

Ai, Meu Deus, eu sou uma farsa, uma louca, uma doida de jogar pedra... Sei que isso de se apaixonar acontece com todo mundo, o tempo inteiro. Mas, aqui: eu não sou todo mundo faz tempo! Já apanhei tanto da vida que mudei da categoria de não ser “ todo mundo”, sem pedir permissão. (Aliás, minha mãe já dizia isso na minha adolescência e estava certa. Pelo menos, teoricamente).

Então, não venha com esse sorriso e essas frases que me valem cinco parágrafos seguidos.

Porque ser bonito, meu bem, tudo bem. Mas ser inteligente, ah, não! Aí você fode tudo.

De novo.

Coisas assim não acontecem com pessoas como eu.

NÃO MAIS.

Não até agora.

Não até você.

Não até eu te ver, com esse tênis surrado, essa barba por fazer...

É, cara, agora fodeu.

(Falta ver se a paixão vai virar AMOR. TEXTO. OU MAIS UMA LEMBRANÇA PRA EU ESQUECER.)

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